A falência ainda carrega, entre nós, o peso de um estigma que o Direito moderno precisa enfrentar. Para quem atua com insolvência, recuperação judicial e Direito Empresarial, compreender o instituto do fresh start deixou de ser refinamento acadêmico para tornar-se ferramenta concreta de defesa do empresário que busca recomeçar.
Nesta obra, a autora conduz o leitor por uma leitura ao mesmo tempo técnica e valorativa do sistema de insolvência brasileiro. Partindo da evolução histórica do perdão das dívidas e do direito comparado com os Estados Unidos, examina os obstáculos concretos à reabilitação do falido e propõe caminhos interpretativos para superá-los, com base na Lei nº 14.112/2020 e nos fundamentos constitucionais.
Uma leitura indispensável para quem enxerga na reabilitação do falido não um sinal de fracasso, mas um direito a ser assegurado com técnica e sensibilidade.
Por muito tempo, a condição de falido foi tratada como uma marca definitiva, quase moral, sobre quem empreendeu e não obteve êxito. O Direito contemporâneo, porém, reconhece que a insolvência integra o ciclo econômico e que a reabilitação célere do devedor interessa não apenas a ele, mas à sociedade e à própria economia. É desse ponto de partida que esta obra examina o instituto do fresh start e a sua incorporação ao sistema de insolvência brasileiro.
A autora, magistrada com sólida formação em Direito Empresarial e insolvência, articula uma leitura que ultrapassa o tecnicismo e alcança os fundamentos valorativos do sistema. A relação entre a condição de falido e os direitos humanos, pouco explorada na doutrina nacional, é aqui desenvolvida com densidade, apoiada no conceito de capitalismo humanista e na ideia de reinserção digna do insolvente.
A análise não se limita ao plano teórico. A obra percorre a evolução histórica da legislação falimentar na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil, e desce ao terreno prático da reabilitação após a Lei nº 14.112/2020, confrontando o modelo brasileiro com as hipóteses de exoneração das dívidas do direito norte-americano.
O ponto alto do trabalho está no enfrentamento direto dos obstáculos que, na prática, dificultam ou inviabilizam a reabilitação do falido. Para cada obstáculo, a autora apresenta uma proposta de superação fundada em interpretação sistemática e constitucional, oferecendo ao profissional argumentos utilizáveis na atuação cotidiana.
Atuar em favor do empresário falido exige mais do que conhecer o procedimento: exige compreender os fundamentos que sustentam o direito ao recomeço e antecipar as resistências que a reabilitação encontra. Saber articular a extinção das obrigações diante da manutenção do passivo tributário, ou enfrentar a desconsideração da personalidade jurídica como óbice à reabilitação, são competências que fazem diferença concreta no resultado. Esta obra reúne esse repertório de forma organizada e aplicável.
Com as alterações promovidas pela Lei nº 14.112/2020, o tratamento da insolvência ganhou novos contornos, e a discussão sobre a celeridade da reabilitação tornou-se ainda mais relevante. Em um ambiente econômico marcado por incertezas, garantir ao empreendedor uma via legítima de recomeço é medida de eficiência e de justiça. A obra situa o profissional no estado atual da matéria, com a profundidade e a atualidade que o tema exige.
Destina-se a advogados, magistrados, administradores judiciais, promotores, professores e estudantes que atuam ou se dedicam ao Direito Empresarial, à insolvência e à recuperação judicial, bem como a todos os profissionais interessados na dimensão jurídica, econômica e humana da falência.
A obra considera as alterações da Lei nº 14.112/2020?
Sim. A reabilitação do falido é analisada sob a ótica do direito brasileiro após o advento da Lei nº 14.112/2020, com exame de seus reflexos práticos.
Há análise de direito comparado?
Sim. O trabalho realiza análise comparativa com outros sistemas, em especial o norte-americano, incluindo as hipóteses de exoneração das dívidas e a política de educação financeira.
O livro enfrenta a questão tributária na extinção das obrigações?
Sim. Um dos obstáculos examinados é justamente a manutenção da obrigação tributária diante da extinção das demais obrigações do falido, com proposta de interpretação sistemática constitucional.
A abordagem é apenas dogmática?
Não. A autora combina rigor técnico com uma leitura valorativa fundada nos direitos humanos e no conceito de capitalismo humanista.
É útil para quem atua na prática forense?
Sim. A estrutura em torno dos obstáculos concretos à reabilitação e de suas formas de superação oferece argumentos diretamente aproveitáveis na atuação profissional.
Se o seu trabalho envolve falência, recuperação judicial ou a defesa do empresário em dificuldade, esta obra entrega a base técnica e o repertório argumentativo necessários para sustentar o direito ao recomeço com segurança. Garanta o seu exemplar e atue com a profundidade que o tema exige.
Introdução
Capítulo 1 - Evolução Histórica do Perdão das Dívidas
1.1 A evolução histórica do instituto da insolvência
1.2 A evolução histórica da legislação no tratamento da reabilitação: o continente europeu
1.2.1 A evolução legislativa no tratamento da reabilitação: a abordagem norte-americana
1.2.2 A abordagem brasileira no tempo em relação ao perdão das dívidas do empreendedor falido
Capítulo 2 - A Visão Valorativa do Sistema de Insolvência Brasileiro
2.1 A função social como reflexo da escolha do legislador brasileiro
2.1.1 A abordagem do grande debate normativo
2.1.2 O pensamento procedimentalista e o modelo da barganha dos credores
2.1.3 O pensamento tradicionalista da escolha da bancarrota
2.1.4 Uma revisão crítica da teoria do creditor's bargain
2.1.5 O instituto da função social contemplado no cenário empresarial
2.2 Uma leitura valorativa da reabilitação
2.2.1 A valorização da reabilitação do falido à luz dos direitos humanos
2.2.2 O capitalismo humanista e a fraternidade na reinserção do insolvente
2.2.3 Os ideais valorativos contemplados na reabilitação
Capítulo 3 - Aplicação Prática da Reabilitação do Insolvente
3.1 A reabilitação do falido sob a ótica do direito brasileiro, com o advento da Lei 14.112/2020
3.2 Os procedimentos para ver reconhecido o perdão das dívidas no direito norte-americano
3.2.1 Hipóteses configuradoras da exoneração das dívidas no direito norte-americano
3.2.2 Política pública voltada à educação financeira
Capítulo 4 - Análise Crítica ao Instituto do Fresh Start e a sua Incorporação no Sistema de Insolvência Brasileiro
4.1 O primeiro obstáculo: a reabilitação direcionada somente ao empresário individual
4.1.1 Rompimento do obstáculo: ampliando o espectro de incidência da reabilitação
4.2 O segundo obstáculo: alteração legislativa imprimindo celeridade ao reconhecimento da extinção das obrigações
4.2.1 Rompendo o obstáculo: necessidade de regularidade e disponibilização da escrituração
4.3 O terceiro obstáculo: a problemática da extinção das obrigações do falido com a manutenção da obrigação tributária
4.3.1 Rompendo o obstáculo: interpretação sistemática constitucional
4.4 O quarto obstáculo: a desconsideração de personalidade jurídica como óbice à reabilitação
4.4.1 Rompendo o obstáculo: divisão da responsabilidade
Conclusão
Referências