Quem atua na investigação criminal sabe que boa parte da prova penal nasce da memória de quem viu, ouviu ou viveu o fato. E a memória, ao contrário do que a praxe forense costuma supor, não é um arquivo fiel: ela se forma, se transforma e pode ser contaminada por uma pergunta mal formulada ou por uma oitiva conduzida no improviso.
Esta obra enfrenta esse ponto cego com rigor. Reunindo psicologia do testemunho, processo penal brasileiro e técnicas modernas de entrevista, o autor mostra por que tratar o relato da testemunha como dado bruto e confiável é arriscado e como o método PEACE oferece um caminho ético, não coercitivo e epistemicamente orientado para colher prova oral de qualidade.
Ao longo do estudo, você encontrará:
Mais do que descrever institutos, o autor entrega um repertório técnico para transformar a oitiva em instrumento confiável de apuração. Para quem conduz, fiscaliza ou valora prova testemunhal, dominar esse conteúdo é um diferencial concreto na atuação.
Se você trabalha com investigação criminal, persecução penal ou defesa, já percebeu que o depoimento de uma testemunha pode sustentar ou ruir uma acusação inteira. O que poucos param para examinar é o que acontece antes do depoimento chegar aos autos: como a memória daquela pessoa foi formada, preservada e, sobretudo, como foi acessada na oitiva. É exatamente nesse intervalo que se ganha ou se perde a confiabilidade da prova.
Nesta obra, Thiago Padovese Magno examina as chamadas provas dependentes da memória à luz dos avanços da psicologia do testemunho, da epistemologia da prova e das modernas técnicas de entrevista investigativa. A abordagem é interdisciplinar e prática: parte do funcionamento cognitivo da memória humana, passa pelos riscos de falsas memórias, vieses e contaminação, e chega a um método estruturado de colheita do relato.
O fio condutor é a transição histórica da coerção para a investigação epistemicamente orientada. Em lugar do interrogatório que busca confirmar uma hipótese, o autor defende a entrevista investigativa como a melhor escolha para a Polícia Judiciária, com destaque para o método PEACE e suas cinco etapas: planejamento e preparação, engajamento e explicação, relato, fechamento e avaliação.
A partir de experiência concreta na investigação criminal e na formação de policiais, a obra conecta ciência e prática, oferecendo parâmetros aplicáveis no dia a dia da Polícia Judiciária sem perder de vista a responsabilidade jurídica e a proteção dos direitos humanos.
A obra contempla:
No plano técnico, a obra organiza a base científica e normativa que sustenta uma oitiva confiável, do funcionamento da memória aos protocolos de entrevista. No plano estratégico, oferece fundamentos sólidos para que delegados, peritos, membros do Ministério Público, magistrados e advogados sustentem ou questionem o valor de uma prova testemunhal. Quem compreende como a memória se forma e se contamina conduz, valora e impugna depoimentos com muito mais segurança.
A discussão sobre reconhecimento de pessoas, falsas memórias e condenações fundadas em prova oral frágil ocupa hoje o centro do debate processual penal brasileiro. Decisões recentes têm reforçado a necessidade de observância de procedimentos na colheita do testemunho, e a entrevista investigativa surge como resposta técnica a esse cenário. Esta obra entrega o repertório necessário para alinhar a prática investigativa nacional a esse novo patamar de exigência.
Destina-se a delegados de polícia, investigadores, peritos, membros do Ministério Público, magistrados, defensores públicos, advogados criminalistas, pesquisadores, docentes e estudantes de graduação e pós-graduação em Direito, sobretudo os que atuam em Direito Penal, Processo Penal, Criminologia e psicologia do testemunho. É leitura igualmente relevante para profissionais da segurança pública comprometidos com práticas de oitiva tecnicamente fundamentadas.
O que são provas dependentes da memória?
São os elementos de prova que se apoiam na recordação humana, como depoimentos de testemunhas, declarações da vítima e reconhecimentos, cuja confiabilidade depende de como a memória foi formada e acessada.
O que é o método PEACE tratado no livro?
É um modelo de entrevista investigativa, ético e não coercitivo, estruturado em cinco etapas (planejamento e preparação, engajamento e explicação, relato, fechamento e avaliação), voltado a colher o relato sem contaminá-lo.
A obra dialoga com o Código de Processo Penal?
Sim. O autor analisa, entre outros pontos, o artigo 226 do CPP em diálogo com a entrevista cognitiva e a jurisprudência contemporânea sobre a colheita de prova oral.
O conteúdo tem aplicação prática para quem conduz oitivas?
Sim. O livro oferece parâmetros concretos sobre planejamento da entrevista, condução do relato livre, escalada de perguntas e registro audiovisual da oitiva.
Preciso de formação em psicologia para aproveitar a obra?
Não. A apresentação dos conceitos de memória e testemunho é progressiva e voltada ao operador do Direito e da segurança pública, sem exigir conhecimento prévio na área.
Por que a entrevista investigativa é apresentada como superior ao interrogatório tradicional?
Porque reduz a coerção e o viés de confirmação, preserva a integridade do relato e tende a produzir informação mais rica e confiável, com maior valor probatório.
A confiabilidade da prova penal começa muito antes do processo: começa na forma como a primeira pergunta é feita. Esta obra coloca ao seu alcance a ciência da memória e um método estruturado de entrevista, com o rigor técnico e o compromisso com os direitos humanos que a investigação criminal exige. Garanta o seu exemplar e aprimore a sua atuação na produção da prova testemunhal.
Agradecimentos
Apresentação
Prefácio
Capítulo 1 - Introdução
Capítulo 2 - A Memória Humana e os Meios de Prova no Processo Penal Brasileiro: Uma Intersecção com as Técnicas de Entrevista Policial e Investigativa
2.1 O artigo 226 do CPP, a memória humana e a entrevista cognitiva: uma análise integrativa sob a perspectiva jurisprudencial contemporânea
Capítulo 3 - O Estado Atual de Coisas
Capítulo 4 - Considerações Iniciais sobre o Conhecimento dos Profissionais de Polícia sobre Oitivas Policiais
Capítulo 5 - Locais de Crime e Psicologia do Testemunho: Convergência Normativa e Científica na Coleta de Provas Orais
Capítulo 6 - A Devida Investigação Criminal
6.1 Princípios jurídicos que devem nortear os investigadores na realização de audiências policiais
Capítulo 7 - As Audiências Policiais e a Evolução do Processo de Colheita de Provas no Inquérito Policial
Capítulo 8 - A Psicologia do Testemunho
8.1 A memória humana
8.1.1 Codificação
8.1.2 Retenção
8.1.3 Evocação
8.2 As variáveis no testemunho ocular: reflexões a partir de Gary L. Wells
8.2.1 Variáveis estimativas: fatores inerentes à testemunha e à situação do crime
8.2.2 Variáveis do sistema: elementos sob controle do processo investigativo
8.2.3 Considerações finais sobre as variáveis de Wells
Capítulo 9 - A Evolução das Técnicas de Entrevista e Interrogatório no Mundo: Da Coerção à Investigação Epistemicamente Orientada
9.1 A entrevista investigativa como a melhor escolha para a Polícia Judiciária
Capítulo 10 - O Viés de Confirmação e a Entrevista Investigativa Como Estratégia de Superação
Capítulo 11 - O Método PEACE: Fundamentos, Origem e Estruturação
11.1 Planejamento e preparação: a primeira etapa da Entrevista Investigativa no método PEACE
11.1.1 A gravação audiovisual como garantia de integridade probatória e profissionalização
11.2 Engajamento e explicação: o papel do rapport e da comunicação transparente na entrevista investigativa
11.3 A etapa do Relato: o valor epistêmico do relato livre e a gestão estratégica da evidência na entrevista investigativa
11.3.1 A escalada das perguntas na etapa Account: da narrativa espontânea à elucidação estratégica dos fatos
11.4 A etapa de Fechamento: consolidando o relato, promovendo a confiança e fortalecendo a integridade do processo investigativo
11.5 A etapa da Avaliação: o aperfeiçoamento contínuo da prática investigativa como garantia de qualidade e integridade
Capítulo 12 - Da Necessidade de Formação Profissional para Toda a Polícia Judiciária
Capítulo 13 - Da Aplicação das Técnicas de Entrevista Investigativa Como Instrumento de Aprimoramento da Atividade de Polícia Judiciária no Brasil, com Ênfase na Proteção dos Direitos Humanos
Considerações Finais
Posfácio
Referências